| NORMALIZAÇÃO - ONS 58 |
Classificação da madeira por meio de Ultra-Som
Para os profissionais que atuam em dimensionamento, o conhecimento das propriedades de resistência e de rigidez do material a ser utilizado nos projetos é fundamental, tanto do ponto de vista da segurança quanto da economia. Em termos de materiais convencionais podemos dizer que, no Brasil, o aço já atinge nível tecnológico compatível ao existente em outros países, no que tange a garantia de resistência/rigidez. No caso do concreto usinado também é fornecida ao consumidor uma garantia de resistência mínima (fck). Infelizmente, o mesmo não se pode dizer com relação à madeira, uma vez que, via de regra o consumidor não tem a correta identificação da espécie que está adquirindo, nem tampouco garantias de suas propriedades mecânicas, comprometendo, com isso, o projeto e, portanto, a segurança. Agravando a situação, a madeira, por ser um material produzido pela natureza, apresenta grande variabilidade nas suas propriedades, mesmo dentro de uma mesma espécie e até mesmo dentro de uma mesma árvore, dependendo do clima, do solo, do tipo de plantio. Atualmente, para se projetar uma estrutura ou um móvel de madeira o profissional tem, basicamente, dois caminhos. Um deles é comprar madeira confiando que esta é de uma determinada espécie, e buscar em tabelas as propriedades de resistência necessárias ao projeto. Essas propriedades, ainda que a espécie esteja correta e exista nas tabelas, podem apresentar grandes diferenças, já que os valores tabelados são valores médios obtidos em amostragem que pode diferir significativamente do lote que se está adquirindo. O segundo caminho é proceder à caracterização das propriedades dessa madeira por meio de Ensaios Destrutivos em corpos- de-prova (pequenas peças confeccionadas em dimensões pré-estabelecidas e sem qualquer tipo de defeito), como sugere a NBR7190 - Projeto de Estruturas de Madeira. Para isso é necessário tomar certa quantidade de corpos-de-prova como amostragem do lote e levar a um laboratório para a realização de Ensaios. O número de corpos-de-prova e de tipos de ensaios varia com o tipo de caracterização.
A caracterização mais simples da norma é baseada em Ensaios de compressão paralela às fibras. A partir desses resultados relações são adotadas para inferir outras propriedades. Esse procedimento não tem sido usual entre os profissionais que utilizam a madeira, o que faz com que se continue a usar o material de forma indevida ou a simplesmente não usá-lo por falta de informações imprescindíveis ao dimensionamento. Em outros países é comum que o consumidor adquira uma madeira com garantia de resistência mínima. Para isso, levando-se em conta a grande variabilidade que a madeira apresenta, as peças são classificadas uma a uma e não por amostragem. Dentre os métodos Não Destrutivos utilizados, o Ultra-Som se destaca por ser rápido, de fácil aplicação, e de baixo custo. Em 2005 formou-se a Comissão de Estudos para elaboração de Norma Brasileira de utilização do Ultra-Som como ferramenta de classificação de peças estruturais de madeira. Esse Comitê tem contado com a participação ativa de representantes de Universidades, Instituições de Educação Profissional, Institutos de Pesquisa e setor produtivo (madeireiras). Como resultado desse trabalho já se definiu uma Tabela de Classificação que propõe faixas de velocidades de propagação de ondas longitudinais em peças estruturais demadeira com teor de umidade acima do Ponto de Saturação das Fibras (PSF) associadas a faixas de propriedades de rigidez e de resistência para dicotiledôneas (madeiras duras) comercializadas no Brasil. Para peças que apresentem umidades maisbaixas, o método prevê a aplicação de expressão que corrige a velocidade para valores correspondentes à umidade acima do PSF. Como próximas etapas de trabalho o Grupo atuará no detalhamento dos procedimentos para aplicação do método. Espera-se que essa Norma se torne efetivamente ferramentade classificação, contribuindo para um salto tecnológico da utilização da madeira como material estrutural em nosso país, tornando-a, assim, compatível ao que já foi alcançado para o aço e o concreto. Aliada à certificação de procedência da madeira serrada, a classificação insere-se no esforço do país rumo à preservação de nossas florestas, uma vez que capacitará o mercado a utilizar a madeira de forma racional.