Os 25 Anos contados por aqueles que fizeram nossa história

A visão de quem ajudou a criar a ABENDE é importante para termos a noção exata de como foi participar da criação da Associação. Pessoas que fizeram parte dessa conquista não poderiam
deixar de contar como é conseguir completar 25 anos de história.

Raimar Schmidt é sócio número 6 da ABENDE. Mas a sua ligação com a Associação é anterior à fundação.
O engenheiro metalúrgico viajou à Alemanha e quando voltou ao Brasil trouxe um estatuto da Associação Alemã de Ensaios Não Destrutivos. O documento foi
usado como base para a formação da ABENDE. “Antes da inauguração fazíamos
reuniões nas empresas para discutir e para elaborar melhor o estatuto”, afirma. A intenção de criar uma Associação atendia a uma necessidade: “A gente queria muito a Associação para que área de END fosse valorizada”.
Tanto empenho trouxe uma recompensa.
“Hoje, a ABENDE é uma das três melhores Associações do mundo, graças a um trabalho de incentivo”.

Se Raimar é o número 6, Alcides Taveira também tem orgulho de dizer que é sócio número 7 da ABENDE.
"Era importante ter uma Associação para regulamentar a atividade", diz. O técnico de inspeção de END conta que na época em que se associou, o mercado não estava preparado para o treinamento. "As pequenas, médias e grandes empresas ainda não se preocupavam com treinamento". Para Alcides, a evolução no setor foi sentida de todas as maneiras, tanto na prestação de serviços, como na qualidade. O sócio número 7 completa: "A Associação deu um salto muito bom nos 25 anos".

Amilton Carvalhal ajudou muito para que a ABENDE surgisse. Em 1977, o engenheiro metalúrgico e um grupo de profissionais queriam fundar uma Associação nos moldes da ASNT _ a Associação Americana de Ensaios Não Destrutivos. Amílton conheceu melhor a ASNT nos Estados Unidos e trouxe essa experiência internacional para a ABENDE. Participou das reuniões para a fundação da Associação e mais tarde foi diretor, vice-presidente, presidente, e presidente do Conselho Deliberativo. "Em 89, tivemos uma época difícil, com a crise que o País enfrentava, a ABENDE não ficou imune; tivemos que reorientar os rumos da Associação, tínhamos custos operacionais altos, eventos e congressos não davam resultados financeiros, a solução foi enxugar o quadro de funcionários", conta Amílton. Do sufoco financeiro à esperança de sucesso. "Agora, a ABENDE está estabilizada, com influência cada vez maior e reconhecida pelo poder público de normalização".

Alejandro Spoerer foi presidente da ABENDE em 87 e também queria trazer uma filial da ASNT para o Brasil. Como a idéia não foi pra frente, as atenções foram voltadas para a criação da ABENDE. "Era mais interessante para técnicos que atuavam na área de END e para todo mundo ter uma Associação própria, nacional", fala Alejandro. Para ele, a ABENDE está bem situada na área de geração de energia, distribuição e controle de energia elétrica, assim como mineração. "Hoje, a ABENDE está muito bem posicionada nas indústrias ferroviária, naval e aeronáutica". Alejandro acredita que a realização de um sonho antigo está por vir. "Nos setores de autopeças e siderúrgica, precisamos conquistar e consolidar uma posição nesta área, e isso pode ser concretizado já que a ABENDE fez importantes ações numa época difícil e com ações concretas a ABENDE conseguirá, não tenho dúvidas".

O último presidente da ABENDE, José Santaella Redorat Jr., hoje presidente do Conselho Deliberativo mistura a sua história de vida com a da ABENDE. Recém-formado em engenharia, aos 21 anos, começou a atuar na área de inspeção. Foi assim que chegou até à ABENDE. "No começo, apesar de nova no ramo, a ABENDE era bem dinâmica. Eu percebia a participação dos técnicos nos congressos, era sempre tudo caloroso e envolvente". Santaella foi bolsista na Alemanha pela Fundação Krupp na época em que a ABENDE começava a firmar convênios internacionais. Em 92, foi diretor da ABENDE. "Tivemos problemas financeiros até 96, em 97 as coisas começaram a mudar, com o Sistema de Qualificação e Certificação recebemos mais sócios", diz. "A ABENDE pode alcançar vôos, construir uma sede própria é um sonho, mas o mais importante é que a Associação deixou ser acanhada e comedida e hoje tem mais presença".

Milton Mentz também se beneficiou dos convênios internacionais que a ABENDE realizou no começo da década de 80. Em 1983, o engenheiro mecânico foi bolsista na Alemanha. Na verdade, foi o primeiro brasileiro a participar do Projeto de Cooperação entre Brasil e Alemanha. Ele cumpriu todo o Programa de Treinamento da Associação Alemã de END e voltou para o Brasil com nível 3 de quatro métodos de Ensaios Não Destrutivos. "Valeu a pena pessoal e profissionalmente ser sócio, passei toda a experiência para os funcionários da minha empresa e para os funcionários da própria ABENDE", diz. Depois de ter ministrado vários cursos, Milton faz parte do Conselho Deliberativo da ABENDE. Hoje, tem esperanças de que no futuro a ABENDE possa se igualar ao trabalho de END feito na Alemanha. "Os alemães estão muito a frente neste ramo, a ABENDE ainda tem um trabalho de base nesta área, mas a longo prazo isso é muito possível".

Rodolfo Fraga Moreira trabalha na área de END desde 1967. Já naquela época, quase dez anos antes de a ABENDE ser fundada, o administrador de empresas sentia necessidade de mudanças. "Nós sentíamos que os Ensaios Não Destrutivos não tinham apoio, nem rumo, não havia empresas nem treinamentos". Rodolfo Moreira conta que foi inevitável o surgimento da ABENDE. "Estávamos muito atrasados em relação aos países desenvolvidos, os clientes cobravam, mas não tínhamos a quem recorrer". Ele conta que dois grupos que lutavam simultaneamente pela fundação da Associação resolveram se unir para agilizar a criação da ABENDE. "Ainda temos muito caminho pela frente, novas tecnologias estão vindo para o Brasil, mas hoje sabemos que os 25 anos não foram em vão".

Renato dos Santos Pereira participou da primeira reunião para formar a ABENDE. "No final da década de 70, queríamos exportar para grandes indústrias, mas para exportar, precisávamos dominar a área de END", diz. Para ele, com a ABENDE o setor cresceu muito. "A Associação desempenhou um papel importante quando fortaleceu o treinamento". Pereira diz que a preocupação com a segurança era fundamental. "Hoje, os Ensaios Não Destrutivos no Brasil estão muito adiantados, passamos por uma redução na produção de equipamentos, mas agora a ABENDE já está conseguindo suprir a procura". Quando se trata da Associação que ajudou a fundar, Pereira é filosófico: "A ABENDE cumpre hoje um papel de educação, formação e de orientação, ela nunca poderá deixar de existir", finaliza.

A visão de um ex-presidente e membro do Conselho Deliberativo da ABENDE muitas vezes representa o que é a Associação. E quando este ex-presidente também foi um voluntário, e fácil entender por que a sua contribuição foi fundamental para a evolução na história dos 25 anos da ABENDE. O engenheiro João Rufino Teles Filho não se esquece de pequenos detalhes. "No começo, a ABENDE era pequena, com no máximo três salas". Ele lembra também do que considera ter sido o mais importante para a Associação crescer. "A dedicação do pessoal, vontade e o ímpeto foram fundamentais para que a ABENDE não acabasse", diz. O engenheiro acredita que além de informar a sociedade sobre os Ensaios Não Destrutivos, a Associação contribuiu muito na sua carreira. "Ela me ajudou na relação com outros profissionais, na troca de informações, convívio e experiências".

Linha do tempo

Jornal "O Estado de São Paulo" de 17/12/1979
A área de Ensaios Não Destrutivos nunca mais seria a mesma. E pensar que tudo começou numa fase conturbada, época de indefinição no ambiente industrial brasileiro. O cenário: final da década de 70. A política governamental favorecia substituição de importações em razão da necessidade de estabilização das contas internas. Mas havia sinais de progresso. O modelo de desenvolvimento nacional privilegiava investimentos nas áreas de energia e petróleo. A ASNT _ American Society For Non-Destructive Testing _ Associação Americana de Ensaios Não Destrutivos era referência no mundo no assunto, mas o mercado brasileiro sentiu necessidade de fazer uma entidade genuinamente brasileira. Um grupo de profissionais deu vida à idéia. O sonho podia ser uma realidade. Era preciso contribuir para que os Ensaios Não Destrutivos impulsionassem a qualidade industrial, a segurança pública, a capacitação e a certificação de mão-de-obra.

Uma e meia da tarde. Horário da Assembléia. Para um grupo de profissionais de END podia ser mais só mais uma, mas certamente foi a Assembléia mais importante para a vida da ABENDE, porque através dela a Associação começou a ganhar força. No dia 19 de setembro de 1978, representantes da área de END elegeram uma comissão de organização para a Fundação da ABENDE. Foram muitas reuniões. Acertos, conversas, decisões. Seis meses depois, dia 27 de março de 1979, a ABENDE é fundada por doze integrantes da comissão organizadora no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo. Foi um marco fundamental para a tecnologia brasileira. É dada a largada rumo ao desafio e sucesso.

O batismo da ABENDE acontece no ICNDT _ Comitê Mundial de END. A Associação participou do evento como membro votante. O Comitê foi na Austrália e reuniu todas as associações de END no mundo. Em 1980, a ABENDE realiza o I Seminário Nacional de Ensaios Não Destrutivos, em São Paulo. Uma oportunidade para lançar idéias, sugestões e propostas de desenvolvimento na área de END. O mercado sentia necessidade de profissionais qualificados. Em 1981, a ABENDE implanta o Programa de Treinamento de Inspetores em convênio com a PETROBRAS. O treinamento mudaria a história da certificação e qualificação de pessoal. No ano seguinte, sempre em busca de desafio, é criado um Grupo do Trabalho para elaboração do Programa Nacional de Treinamento, Qualificação e Certificação de Pessoal em END. A COEND _ Comissão Nacional de Qualificação e Certificação demonstra o interesse da ABENDE em investir na área, considerada promissora e fundamental para os profissionais de END.


1981 - Curso de Reciclagem Ultra-Som

1992 - Participantes da 13ª Conferência Mundial de END realizada em São Paulo/SP

Em 83, a Associação prova que podia alcançar vôos ainda mais altos e importantes para o setor. Realiza o I CLAEND _ Congresso Latino Americano de Ensaios Não Destrutivos, em São Paulo, e mais do que isso, representa o governo brasileiro no Projeto Regional de END para a América Latina e Caribe. O Congresso motiva a ABENDE a participar de outros programas em 84 e 85. Nestes anos e nos seguintes, instrutores brasileiros conseguem bolsas no exterior para aperfeiçoamento em END. No final da década de 80, sócios da ABENDE representam a Associação em cursos e implantação de esquema de qualificação e certificação. E é justamente esta área que a ABENDE tem como prioridade na década de 90. Em 97, a Associação é credenciada pelo INMETRO como Organismo de Certificação de Pessoal - OCP.
A década de 90 é marcada pela realização de importantes eventos, que levam à ABENDE ao reconhecimento internacional com a realização da Conferência Mundial, em 92. O século XXI chega e com ele vem outro desafio. Na verdade, mais do que um. Manter a qualidade dos cursos, certificar mais profissionais e avançar na área de END. Em 2003, a 3ª Conferência Panamericana de END é realizada no Rio de Janeiro. A ABENDE sedia o evento e consegue retomar os contatos com entidades e associações da América Latina que estavam esquecidos. Uma oportunidade para voltar a mostrar que a Associação é a mais importante representante de END no continente sul-americano.

A ABENDE quer agora continuar a mostrar que valeu a pena lutar para criar a Associação e difundir os Ensaios Não Destrutivos em novos setores do mercado. Os desafios são principalmente na área de qualificação e certificação. Quanto mais pessoas qualificadas e certificadas, melhor para os Ensaios Não Destrutivos, assim como para a indústria nacional. Eleva-se a qualidade dos produtos que ficam mais competitivos. E melhor para você sócio, melhor também para a ABENDE que tanto se empenhou neste segmento. Os 25 anos representam uma vida, mas podemos ter uma longa história. Depende do nosso empenho, das nossas ambições e por que não dizer que também depende de você, prezado sócio? Sua contribuição é e sempre foi fundamental para a ABENDE. Sem suas idéias, sua participação, nada disso seria possível. Os 25 anos nunca teriam existido. Queremos poder continuar a fazer da ABENDE uma Associação com motivos para investir na área de END e que represente uma referência para este setor, um exemplo de Associação que deu certo.


2003 - Mesa de Abertura da 3ª Conferência Pan-Americana de END realizada no Rio de Janeiro/RJ

Programa de Treinamento de Inspetores de END

Início da década de 80. A área de END ensaiava uma afirmação no mercado. Os inspetores tentavam se firmar no setor, mas o segmento representava uma grande barreira para o crescimento profissional. O mercado sentia necessidade de pessoas qualificadas. Quando a ABENDE implanta o Programa de Treinamento de Inspetores em convênio com a PETROBRAS, através do SEQUI, em 1981, a história da certificação e qualificação de pessoal na área de END nunca mais seria a mesma.

O coordenador do Programa de Treinamento de Inspetores de END, Waldir Algarte Fernandes, conta como tudo começou: "Cinqüenta por cento dos candidatos eram reprovados na prova prática, eles vinham muito despreparados". Havia uma carência muito grande de mão-de-obra especializada, principalmente em ultra-som. Era preciso trazer estrangeiros para suprir a demanda, o que gerava um custo alto: "Os ingleses ganhavam em libra, os inspetores brasileiros de nível médio, raros na época, recebiam verdadeiras fortunas para resolver os problemas na obra da Bacia de Campos que às vezes parava", diz Algarte. Para se ter uma idéia, um inspetor ganhava um salário igual ou maior do que de um engenheiro no começo da década de 80.


1984 - Participantes do Curso de Ensaio Radiográfico, realizado em Natal/RN

A PETROBRAS supriu a ineficiência do mercado. O Programa de Treinamento recebia alunos que já tinham sido reprovados várias vezes. Para preparar os inspetores para o mercado, o curso tinha ênfase nas provas práticas: "Explicávamos a parte teórica por cima", explica. O primeiro curso teve duração de uma semana e foi um sucesso; cem por cento dos alunos foram aprovados. Foram realizados doze cursos gratuitos em 1981, nos cinco primeiros, o índice de aprovação era de cem por cento. Em média 150 alunos se formaram. Saíram de lá inspetores de END certificados. "Com isso ficou comprovado que os cursos especializados pela PETROBRAS não eram ruins, os alunos é que eram muito despreparados". Poucos anos depois, a situação se inverteu. "Foram tantos treinamentos que o mercado ficou saturado, não tivemos que importar mais mão-de-obra". Algarte explica que quando a PETROBRAS percebeu que o problema era a falta de preparação, fez um convênio com a ABENDE. "Fornecemos uma espécie de mercado para a ABENDE", diz.

A ABENDE hoje dá continuação ao Programa de Treinamento iniciado pela PETROBRAS e permanece na batalha para formar profissionais de END. "O Programa de Treinamento cumpriu a missão", finaliza Algarte.

Setor Interno de Cursos

O reflexo do Programa de Treinamento em convênio com a PETROBRAS foi sentido literalmente na rua. "Tinha aluno fazendo fila na porta da ABENDE". A afirmação é de Akira Sakamoto, instrutor desde a década de 70 e por dez anos dos cursos da ABENDE. Ele conta que no começo da década de 80, era preciso escolher. A demanda era muito grande. "As empresas pagavam os cursos para os funcionários, mas tivemos que recusar alunos". Profissionais do Japão, da Inglaterra eram trazidos aos montes porque não havia pessoas qualificadas para fazer inspeção de ultra-som. Isso mudou cerca de três anos depois, quando graças ao Programa de Treinamento e à ABENDE, brasileiros foram trocados por estrangeiros. "Nesta época, o setor de inspeção de END era extremamente promissor, pessoas migravam de outras áreas e vinham para a área de END".

O mercado de Ensaios Não Destrutivos sofreu um impacto em 1985 e os cursos foram prejudicados porque muitas plataformas foram fabricadas no exterior. "Como a mão-de-obra em Cingapura e Filipinas era extremamente barata, isso refletiu na demanda brasileira". Mas o cenário foi revertido anos depois com a construção de novas plataformas. Hoje, os trabalhos estão concentrados na ampliação da refinaria em Canoas, no Rio Grande do Sul. Para Sakamoto, o mercado deu a volta por cima. "Profissionais do setor de informática, analistas de sistemas querem mudar de área e hoje procuram o campo de inspeção de END porque ele é promissor".


1989 - Participantes do Curso de Ensaio Visual, realizado na ABENDE

Sistema de Franquia

Marcar o nome da Associação numa época de indefinição econômica foi uma conquista. Mas sempre foi preciso avançar e se modernizar. A ABENDE nunca se acomodou e percebeu que além de prestar serviços para profissionais de END podia fazer mais. Por que não fazer como grandes empresas privadas e montar uma franquia? Enquanto a ABENDE tinha apenas vontade de expandir a marca da Associação, um professor de treinamento da Associação provou que isso era possível.


Waldomiro Costa Figueiredo começou a carreira na área de Ensaios Não Destrutivos como professor da ABENDE em 1986. Ele aproveitou a experiência e conhecimento no setor para montar a primeira franquia da ABENDE, o CETRE do Brasil, em 1993. A entidade foi autorizada a ministrar cursos de END, em nome da Associação. "No começo, tivemos que buscar novos mercados, como automotivo, aeronáutico, ferroviário, mas isso deu grande desenvolvimento para a franquia", explica Waldomiro.

De 1993 a 2003, o CETRE do Brasil treinou em média oito mil pessoas. "Seguíamos à risca o Sistema de Franquia; usávamos as apostilas e a metodologia rigorosa da ABENDE".
Em 2003, o CETRE foi o pioneiro a pedir certificação de OTR _ Organismo de Treinamento. A franquia foi encerrada porque Waldomiro queria avançar mais. "Agora, a ABENDE me dá liberdade de desenvolver melhor a área de treinamento, o OTR me dá liberdade". Na verdade, o CETRE não deixou de existir, só não atua mais como franquia da ABENDE. Com a OTR, o CETRE investiu mais de um milhão de reais em tecnologia e tem um reconhecimento de qualidade para dar treinamentos. "Foi uma evolução, temos um centro de treinamento de nível internacional e agora, pretendemos ampliar o parque de salas e laboratórios para suprir o mercado". Waldomiro completa: "O apoio da ABENDE foi fundamental".


Waldomiro da Costa Figueiredo, Diretor do CETRE

OTR

Durante estes 25 anos, a ABENDE não parou de buscar alternativas para modernizar a área de treinamento de END. O mercado de Ensaios Não Destrutivos é ágil e sempre pediu inovações. A ABENDE então foi buscar nos modelos internacionais uma solução para criar um novo sistema para a área de treinamento de pessoal em END. A Associação se baseou nos modelos britânico e alemão para que surgisse o OTR - Organismos de Treinamento Reconhecido. Através do OTR, empresas são reconhecidas pela ABENDE para ministrar cursos de END, em nome da Associação. Os critérios são estabelecidos pela ABENDE.

Criar o OTR é mais do que inovar para ABENDE. A Associação quer expandir os serviços na área de treinamento até para suprir a demanda. Com a adoção do novo sistema, a ABENDE espera que todas as regiões brasileiras possam ser atendidas. Hoje, o sistema OTR é mais moderno e eficaz porque permite maior liberdade de atuação aos organismos de treinamento. Atualmente, duas empresas são OTRs. A CETRE do Brasil, desde o ano passado, e a ENDSCOLA, credenciada este ano.

De Leigo a Especialista em Treinamento de END

Quando Luiz Muller resolveu ser sócio da ABENDE, em 1987, os Ensaios Não Destrutivos para ele eram uma incógnita, na verdade um mistério. "Procurei a ABENDE porque a área de END era vista com bons olhos pela indústria metalúrgica e também porque queria aprender: não sabia nada sobre o assunto", conta Muller. Naquele mesmo, ele entrou para o Programa de Treinamento da ABENDE e fez todos os cursos possíveis de END. "Estudei muito e participei de eventos". Especializou-se no assunto também no exterior. A experiência trouxe a certeza de que o Brasil é extremamente avançado na área de END. "Nossos inspetores não perdem nada para inspetores americanos, canadenses ou italianos". Não foi à toa que Muller acabou se tornando diretor de treinamento da ABENDE. Participou também da criação de vários comitês e da formação do CETRE. Hoje, ele percebe a diferença de conhecer o assunto através da Associação. Sempre orienta estudantes de engenharia metalúrgica para fazer treinamentos na ABENDE. "Um profissional não aprende sobre Ensaios Não Destrutivos na universidade, ele precisar ir à ABENDE para conhecer o assunto, acho que isso valoriza demais a Associação".
1987 - Luiz Müller (1º em pé, da esquerda para a direita) no treinamento

Qualificação e Certificação

Mil novecentos e oitenta foi realmente um ano histórico para a ABENDE. Paralelo ao Programa de Treinamento de Inspetores de END, em convênio com a PETROBRAS, havia uma imensa necessidade do mercado para colocar em prática um sistema que fosse apto para certificar profissionais da área de Ensaios Não Destrutivos. Com este objetivo, os sócios se reuniram. Em 1981, os membros do Conselho Deliberativo da ABENDE instituíram a COEND _ Comissão de Ensaios Não Destrutivos para discutir a melhor maneira de fazer isso. "Percebemos que a certificação era algo irreversível, a COEND foi o embrião para que o Sistema Nacional de Qualificação e Certificação _ SNQC - fosse criado mais tarde, em 1987", afirma Wilson Zaitune, um dos coordenadores do SNQC. Zaitune conta que as normas foram preparadas de 1981 a 1987 pelo grupo que formava a COEND. "Fizemos mais de cem reuniões, participavam profissionais da PETROBRAS, da área nuclear, automobilística e soldagem".

Definidas as bases da qualificação, era preciso discutir como de fato seria o Sistema. Ele deveria ter um Conselho? Um Bureau? O grupo teve que detalhar também se o SNQC seria dividido em níveis e sub-níveis de qualificação. "Como muita gente de muitos setores participava do grupo, fazer o detalhamento do Sistema deu muito trabalho. Mas nós chegamos num consenso e criamos duas normas: NA00 e DC001", conta Zaitune.

Criadas as normas, o próximo passo foi mudar o estatuto da ABENDE. Como a Associação só tinha os Conselhos Deliberativo e Fiscal e a Diretoria, em 1987 foi criado o Conselho de Certificação. Assim, ele se tornava independente e soberano. A proposta de mudança na base do estatuto da ABENDE foi levada à Assembléia, representada pelos sócios. O SNQC foi aprovado e a COEND deixou de existir.

Depois de constituído o Sistema, foram criados todos os órgãos necessários (Conselho de Certificação, Bureau de Certificação, Comitês Setoriais e Comitês de Exames de Qualificação), assim como foi feito o detalhamento das normas e da operação de todo o SNQC. O processo
de qualificação só começou quatro anos mais tarde, em 1991 e dez anos depois da criação da COEND. "Quando a ABENDE criou a Comissão de Ensaios Não Destrutivos, não sabia se teria o SNQC sob sua coordenação. Isso acabou acontecendo meses depois. O trabalho foi tão sério que o Conselho achou que o SNQC tinha que ser coordenado pela ABENDE".

O SEQUI/PETROBRAS foi o primeiro organismo a promover a qualificação e certificação de pessoal no país, através do Centro de Exames de Qualificação posteriormente reconhecido pelo SNQC/END.


Wilson Zaitune

Credenciamento Inmetro


Reunião da COEND
Não bastava ter um Sistema Nacional de Qualificação e Certificação. Para certificar profissionais de Ensaios Não Destrutivos, a ABENDE precisava ser credenciada ao INMETRO. O processo é exigente, mas eficiente. Para obter o credenciamento, foi necessário fazer um pedido de requisição, depois analisado pelo INMETRO. Uma auditoria foi marcada e verificou-se que a Associação respeitava as normas estabelecidas, ou seja, havia pessoal capacitado, a documentação era correta, e as instalações eram adequadas. A ABENDE obteve o credenciamento do INMETRO em 1997. Pelo menos uma vez por ano, a entidade realiza uma auditoria na ABENDE para verificar se a Associação continua respeitando as normas.
O credenciamento é um sinal de que a Associação está não só de acordo com a lei, mas extremamente apta para capacitar profissionais da área de END. "Hoje em dia, o profissional certificado é muito valorizado e o credenciamento dá credibilidade às empresas", diz Alfredo Lobo, diretor da qualidade do INMETRO.
O mercado hoje é exigente e quer que a certificação seja valorizada. A afirmação é do ex-presidente do INMETRO, Júlio César Bueno. Ele conta que o próprio INMETRO precisou provar seu valor. "Uma das maneiras de valorizar o INMETRO foi aplicar testes. Fizemos o teste de qualidade, exibido em programas de televisão e assim divulgamos a entidade, as empresas precisam saber o grau da certificação e fazer exatamente isso", diz Bueno. Certamente a área de qualificação é uma preocupação de grandes empresas, mas principalmente daquelas que querem progredir. "A área de certificação é extremamente importante porque valoriza a educação como identidade cultural", diz Bueno, hoje secretário do desenvolvimento econômico e turismo do Espírito Santo.

Júlio Bueno em reunião do Conselho de Certificação da ABENDE

Conferência Mundial

O Comitê Internacional de Ensaios Não Destrutivos promove uma Conferência Mundial a cada quatro anos. Ela é presidida por um País que é escolhido o gestor do grupo. Em 1992, o Brasil sediou uma dessas conferências no Parque Anhembi, em São Paulo. Pelo menos vinte países da Europa, América do Sul e Ásia participaram. Pela primeira vez, uma Conferência Mundial foi realizada num País da América Latina. Foram vários dias de congresso. Houve uma feira técnica de equipamentos, materiais e serviços. "Foi uma feira grande e muito concorrida, muitos empresas internacionais se interessaram", diz Carlos Hallai Jr., presidente da Conferência Mundial e do Comitê Internacional. "O Brasil já tinha tecnologia a oferecer, mas houve troca de experiências".
Participantes da 13ª WCNDT
Carlos Hallai conta que vários acordos foram fechados com outros países, principalmente na área de tecnologia. Naquela época e num período de dez anos, muitos brasileiros foram à Alemanha, assim como os alemães vinham ao Brasil para ensinar técnicas mais avançadas como análise de vibrações. A Conferência Mundial provou que o Brasil podia sediar eventos importantes, e que podia vencer os obstáculos: "Apesar de a ABENDE ter conseguido patrocínio, tivemos que fazer um sacrifício financeiro, mas demos uma demonstração de capacidade, organizando um evento daquele tamanho, nunca tínhamos recebido pessoas tão influentes e que puderam contribuir tanto".

Conferência PANNDT

Para a ABENDE, sediar a 3ª Conferência Panamericana de Ensaios Não Destrutivos, foi um grande acontecimento. É um fato que certamente não pode ser esquecido dos 25 anos de história da Associação. A 3ª Conferência foi realizada em 2003 no Rio de Janeiro, e desde a 1ª Conferência Panamericana, o Brasil tinha sido escolhido para sediar este encontro. Isso porque o País sempre foi o mais representativo da América Latina na área de END. "Os contatos das entidades e associações da América Latina estavam meio perdidos, foi um grande ganho ter a retomada destes contatos", afirma Maria Izabel Gebrael, presidente da Conferência.
Países da Europa e Rússia também participaram. Representantes do Peru e da Bolívia mostraram-se interessadas em formar uma Associação, a exemplo da ABENDE. "Foi uma oportunidade única para apresentar trabalhos técnicos de ótimo nível, assim como novas tendências, a ABENDE conseguiu exportar idéias e mais do que isso, fomos fornecedores de serviços e treinamentos", conta Maria Izabel.


Maria Izabel L. Gebrael - Presidente da Conferência PANNDT

Carlos Hallai Jr. - Presidente da Conferência Mundial

Vista geral da exposição técnica da 3ª Conferência Panndt de END, 2003

A ABENDE e a mídia

Não bastava só criar a ABENDE. Era preciso mostrar aos sócios as últimas novidades sobre os Ensaios Não Destrutivos. A primeira publicação da Associação foi lançada um ano depois da inauguração, em 1980. O "ABENDE Informativo" era um jornal de circulação bimestral, trazia as novidades do setor e ficou neste formato até 1986. Naquela época, os Ensaios Não Destrutivos necessitavam de mais atenção. Foi um salto e tanto em se tratando de comunicação. Neste mesmo ano, mais dois veículos foram lançados: a "Revista Oficial da ABENDE" e a "Revista dos END". Essa última, em parceria com demais entidades associativas. Em 1990, a ABENDE já havia superado o desafio inicial de difundir os Ensaios Não Destrutivos no mercado. Outro assunto merecia destaque e atenção dos sócios. A "Revista dos END" foi substituída então por outra publicação: a "Revista Controle de Qualidade" editada pela Editora Banas em conjunto com a ABIMAQ, que mais tarde, foi chamada de "Qualidade Total", em 1994. Em paralelo, a ABENDE lançou também o "Notícias ABENDE", publicação mensal que relatava os principais eventos, cursos e reuniões.

No final da década de 90, A ABENDE percebia que a quantidade de informações detalhadas sobre END não poderiam ficar limitadas às publicações bimestrais. Em 1999, o periódico mensal "ABENDE Informação" trouxe as principais novidades do setor para os sócios. O que se vê depois é uma grande evolução na área de comunicação. O ano 2000 surge com mais três novas publicações: o "ENDIA Informativo", "ENDestaque" _ informativo especial sobre o SNQC/END _ e pela primeira vez uma revista é lançada para atender a um assunto específico. A revista "Soldagem e Inspeção" tinha publicação mensal e era distribuída aos sócios da ABENDE e também para parceiros como o SENAI, por exemplo.

A era digital trouxe informações online e provocou a substituição dos informativos. Em 2001, foi criado o ABENDE News. Em 2004, a Associação lança o seu mais recente meio de informação. A "Revista ABENDE" surge no ano de comemoração de seus 25 anos de fundação. Os números já são superlativos. Com tiragem de 5500 exemplares e circulação bimestral, a "Revista ABENDE" quer não apenas divulgar a prática de Ensaios Não Destrutivos no Brasil, como também satisfazer os sócios e leitores.




Revistas publicadas pela ABENDE

Representações do ICNDT

No ano de sua criação, a ABENDE conseguiu começar a atuar de forma ambiciosa. A Associação representou o Brasil no Comitê Internacional de END, realizado na Austrália em 1979. Esta oportunidade surgiu com a ajuda da engenheira química Salete Maria Brisighello, uma das fundadoras da ABENDE que aproveitou a chance para apresentar a tese de mestrado de um trabalho técnico e para divulgar o trabalho brasileiro na área de END no exterior.

O Comitê serviu para discutir as estratégias e políticas do aspecto tecnológico em END. "Naquela época, a coisa mais importante era inserir a ABENDE no Comitê Mundial, assim como era fundamental apresentar o reconhecimento do desenvolvimento do País na área de END", diz Salete. Ela afirma que a participação do Brasil no evento contribuiu muito para o sucesso da área de END. Primeiro, com a criação da ABENDE no mesmo ano. Segundo, com o reconhecimento das atividades de END pela PETROBRAS e pela área nuclear na época, e terceiro, com os desenvolvimentos tecnológicos através de pesquisa no setor de END, a exemplo da tese que ela apresentou. O Comitê resultaria na qualificação e certificação de profissionais na área de END. Dos vinte países que integravam o evento, o Brasil mostrou que tinha uma representação promissora, e que futuramente viria a se comparar com importantes Associações de Ensaios Não Destrutivos no Mundo.

Prêmio ABENDE

O Prêmio ABENDE surgiu com o objetivo de são promover a divulgação da Associação de forma direta, além de reconhecer os trabalhos e esforços de pessoas físicas ou jurídicas em prol do desenvolvimento dos Ensaios Não Destrutivos no Brasil. Quem presta serviços excepcionais à ABENDE também é beneficiado pelo prêmio. Ele já está na quinta edição. O vencedor da terceira edição, em 2002, foi Antônio Sérgio Fragomeni. Como supervisor de construção de plataformas da Petrobras, ele estimulou a prática de Ensaios Não Destrutivos na empresa. Todo vencedor do Prêmio ABENDE recebe um troféu. Fragomeni diz que ganhou mais do que isso. "O Prêmio ABENDE não significa apenas o reconhecimento das atuações relevantes de profissionais na área de Ensaios Não Destrutivos, mas representa também um grande estímulo e uma homenagem para toda uma equipe de trabalho, constituindo-se numa motivação adicional que ressalta a grande importância dos Ensaios Não Destrutivos no contexto das atividades industriais. Considero-me muito privilegiado por ter tido a honra de receber o Prêmio ABENDE 2002".

Antônio Sérgio Fragomeni durante a Solenidade do Prêmio ABENDE 2002

Normalização Técnica

Quando, em 1987 surgiu a ISO 9000, o assunto mais importante na área de qualidade era o sistema de gestão. Os produtos não foram esquecidos, mas as atenções estavam voltadas para as normas de gerenciamento. Várias normas foram criadas. Mas hoje, como conseqüência de uma evolução natural, a normalização está voltada para as pessoas. Esta é a opinião de Eugenio Guilherme Tolstoy de Simone, diretor técnico da ABNT _ Associação Brasileira de Normas Técnicas. "Quando você se hospeda em um hotel, não adianta o lugar ser fantástico se as pessoas que te atendem são ruins", diz Eugenio. Uma definição do que representa a normalização hoje é: o sucesso do produto está muito ligado a quem lida com ele.

Para a ABNT, a competitividade precisa ser baseada em norma, que nada mais é do que o documento de uma tecnologia consolidada. O caso dos Ensaios Não Destrutivos não é diferente dos demais. O principal é a pessoa que está por trás dos produtos, e se ela está qualificada. "A normalização é uma das ferramentas mais importantes da equipe, principalmente na montagem industrial", diz Eugenio.




Eugenio Guilherme Tolstoy de Simone, diretor técnico da ABNT

Em dezembro de 2003, a ABNT fez um convênio com a ABENDE e credenciou a Associação como ONS - Organismo de Normalização Setorial - para Ensaios Não Destrutivos. Isso quer dizer que a ABNT delegou o direito de a ABENDE fazer normas e mostrar qualidade nas elaborações setoriais. O processo é assim: estas normas entram em consulta pública; os votos são consolidados e é feita a publicação delas. Um trâmite extremamente sério e exigente. "Para delegarmos uma norma para uma instituição, ela precisa ter capacidade técnica e ética para carregar o nome da ABNT", diz Eugenio. A ABNT tem 600 comissões de estudo, 58 comitês técnicos e apenas 4 ONS, uma delas é a ABENDE. "A ABNT só assinaria um convênio se fosse bom para as duas instituições; aproveitamos para usar o conhecimento de END que a ABENDE tem e principalmente a sua credibilidade no setor", finaliza Eugenio.

Projeto Multicliente

O Projeto Multicliente surgiu no início da década de 90, época em que havia enorme necessidade de invenção tecnológica no País. A ABENDE promoveu esta iniciativa com o objetivo de estimular ainda mais a prática de Ensaios Não Destrutivos no País. Quando foi lançado, provocou o interesse de muitas empresas do País, em busca de aperfeiçoamento na área de END. E também porque o Projeto Multicliente tem vantagens. Ele atende aos interesses de várias empresas ao mesmo tempo que financiam o Projeto em conjunto. Em geral, uma é interessada na pesquisa; a outra no resultado desta pesquisa e uma terceira, nas aplicações deste resultado.

No primeiro Projeto Multicliente, procurou-se identificar estatisticamente a sensibilidade e a repetibilidade do método de ultra-som. A pesquisa era para atender a uma demanda da época: a construção de plataformas da Petrobras. Segundo um dos coordenadores do Projeto Multicliente, Cláudio Camerini, foram realizados, em média, cinco Projetos
Multiclientes na década de 90. Além do primeiro, ele lembra de outro que considera ter sido extremamente importante para o setor: "Em 95, foi realizado um projeto de inspeção de soldas circunferenciais, especialmente com relação às paredes finas. Para se ter uma idéia da importância deste Projeto Multicliente, foram selecionados os principais especialistas do setor para participar". Ricardo Tadeu Lopes participa desde o segundo Projeto. O físico e pesquisador já realizou mais de cem pesquisas. "Este trabalho é importante porque reúne até quatro segmentos: o pesquisador, o cliente, o fornecedor e o usuário", diz. Para Cláudio Camerini, a ABENDE foi fundamental na evolução deste Projeto. "O método e os custos são divididos e além do mais, ele tem um respaldo de uma entidade independente, de reconhecimento nacional e internacional como a ABENDE".


Claúdio Soligo Camerini, PETROBRAS/CENPES



Laboratório de END - LABOEND

ETS

Assim como o Projeto Multicliente, a Entidade Tecnológica Setorial – ETS - também surgiu no início da década de 90 pela necessidade de desenvolvimento tecnológico no País. “Havia deficiências no campo tecnológico e um pequeno envolvimento das empresas no esforço de
capacitação”, explica José Paulo Silveira secretário de tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, de 1991 a 1994. O desafio era transformar a deficiência em estratégia. A entidade deveria ser também um espaço de cooperação para que as empresas pudessem participar de congressos tecnológicos. “Era importante que a entidade passasse a utilizar instrumentos de
desenvolvimento tecnológico mais apropriados”, diz. Além da demanda brasileira, Silveira explica que outro fator influenciou na criação da ETS: a experiência internacional. Os países desenvolvidos tentavam promover há décadas a ETS. “A Inglaterra criou em 1940, uma associação de pesquisas; a França em 1948 criou um Estatuto de Entidades Tecnológicas Setoriais, o Brasil não podia ficar de fora”. Silveira diz que a ABENDE tem características
de uma ETS: “Dedica-se a Capacitação, Certificação, Projeto Multicliente, difusão e informação tecnológicas”.


José Paulo Silveira

Projeto de Cooperação


Assinatura do Convênio ABENDE e DGZFp

O Projeto de Cooperação “ABENDE-DGZFP” deu um grande passo para a ABENDE estreitar as relações internacionais na área de Ensaios Não Destrutivos. No começo da década de 80, a Associação fez um acordo de cooperação com a DGZFP, a Associação Alemã de Ensaios Não Destrutivos.
“Foi um mero acordo na época entre duas associações que queriam se conhecer melhor”, afirma Oswaldo Rossi, coordenador do Projeto de Cooperação. Mas foi em 1982 que a ABENDE inovou nos acordos internacionais. Através da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão da ONU, o Projeto para a América Latina e Caribe na área de END pôde ser concretizado. O Projeto nasceu na Argentina,e o Brasil estava entre os dezoito países agregados. Envolvia o treinamento em vários setores de END e a troca de experiências. Neste Projeto, o Brasil foi doador. “Enviamos cerca de duzentos instrutores, técnicos e engenheiros, que levavam a experiência para o exterior. A projeção foi muito boa, queríamos contribuir”,
diz. As reuniões eram anuais para que os temas fossem discutidos. De 1982 a 1992, vinte mil homens/hora foram treinados em toda a América Latina. O Projeto acabou em 92 porque a Agência Internacional de Energia Atômica não tinha mais verba para financiá-lo.

O órgão da ONU continuou ajudando a ABENDE e o Brasil a estreitar relações internacionais para aperfeiçoar a área de END. Se o Brasil foi à América Latina doar informações, também recebeu muito. Além do conhecimento na área, instrutores da Itália e Alemanha doavam instrumentos. Em 1985, Brasil fez um acordo de cooperação técnica com a Alemanha, intermediado pelo CNPQ e DLR, tendo o Instituto de Materiais IW de Hannover e a ABENDE como entidades executoras do projeto para troca de especialistas. Os alemães fizeram doações substanciais de equipamentos, como raio-x microfocus, correntes parasitas, conjunto para análise de vibrações, ensaio de fugas. No ano passado, o acordo terminou porque o prazo foi encerrado.
Mas ele será renovado. “Foi um acordo excelente porque abriu possibilidades de cooperação com vários equipamentos e acrescentou em tecnologia”.

Como a ABENDE contribui para a indústria nacional?

A qualidade do produto é essencial para a competitividade da indústria. Bons produtos significam acesso a mercados no Brasil e no exterior. Neste aspecto, a ABENDE tem desempenhado um papel fundamental para o desenvolvimento da indústria brasileira e, em especial, do setor siderúrgico, que utiliza cada vez mais os Ensaios Não Destrutivos (END) para controlar a qualidade de sua produção.

Ao estimular o emprego de END na siderurgia, a ABENDE está contribuindo direta e indiretamente para aumentar a competitividade do setor nos principais mercados do mundo. E, além de assegurar a qualidade, os Ensaios Não Destrutivos estão se tornando cada vez mais importantes para a própria manutenção de equipamentos industriais nas usinas, o que também influi, de forma positiva, na qualidade da produção.


Rinaldo Campos
Presidente da Usiminas
Num momento em que o Brasil se prepara para entrar de forma definitiva no comércio global, através da negociação de acordos com os principais blocos econômicos do mundo, qualidade e competitividade tornam-se fatores cruciais para a indústria brasileira. É necessário um grande esforço nacional, envolvendo governo, instituições e iniciativa privada, para assegurar o desenvolvimento e aperfeiçoamento do parque industrial brasileiro. Ao trabalhar pela qualidade, a ABENDE e suas associadas, portanto, tornam-se parceiras imprescindíveis nesta caminhada.
Parabéns pelos 25 anos de existência e votos de novas conquistas.

Opinião

A década de 70 estava terminando, mas trazia um enorme conjunto de modificações tecnológicas que se aprofundavam cada vez mais na indústria brasileira. Era a época do "milagre brasileiro". As idéias e os projetos surgiam aos turbilhões. Um grupo de onze profissionais e empresários se reunia em nossos escritórios, para formular a primeira idéia de como poderia ser uma associação técnica científica que regulamentasse as aplicações de Ensaios Não Destrutivos no Brasil.
A idéia de sistematizar ações levava a criação de uma entidade que congregasse toda uma classe, como também promovesse a difusão e o desenvolvimento das técnicas dos Ensaios Não Destrutivos. Estava lançada a semente para a criação da ABENDE - Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos - que hoje, ao completar 25 anos de atividades, possui uma sede em São Paulo e dois escritórios regionais, um em Belo Horizonte e, outro, no Rio de Janeiro. E é com um imenso orgulho que vejo no que a ABENDE se tornou: uma entidade atuante na área tecnológica, promovendo a difusão e o desenvolvimento dos Ensaios Não Destrutivos, colaborando para o aperfeiçoamento das técnicas e do pessoal envolvido, solucionando problemas na indústria nacional de forma ágil, eficaz e dinâmica.

Nestes 25 anos, nossos caminhos nunca deixaram de se cruzar e, ao fazer uma breve lembrança dessa trajetória, vejo que a ABENDE, ao lado e com o envolvimento e apoio irrestrito da Petrobras, participou ativamente em todas as áreas do desenvolvimento da indústria brasileira, promovendo a qualificação, treinamento e a certificação dos profissionais do setor. E vejo também, com enorme orgulho, que ABENDE gerencia um banco de profissionais da área dos Ensaios Não Destrutivos e, desta forma, contribui com as indústrias e empresas prestadoras de serviços que podem selecionar com mais eficiência, profissionais da área. Mas, vejo, finalmente, que durante a curta vida da ABENDE, nós, os seus fundadores, somos aqueles que, sonhando acordados, tivemos a consciência de mil coisas que escapam aos que apenas sonham adormecidos.


German Efromovich é engenheiro mecânico. No início da década de 70 abriu a sua primeira empresa e começou as operações em serviços de inspeção de qualidade e atividades NDT (Ensaios não Destrutivos). Hoje é presidente da Marítima, empresa de unidades flutuantes de produção de petróleo.

Como a ABENDE contribui para a indústria nacional?

Há 25 anos um grupo de dedicados profissionais da área de controle de qualidade de algumas empresas reuniu-se e decidiu fundar a ABENDE.
O que os movia era o idealismo de promover o desenvolvimento tecnológico no Brasil, através do aprimoramento de profissionais e divulgação do conhecimento.
Havia todo um desafio de uma Bacia de Campos que demandaria novos produtos, com novos requisitos tecnológicos a serem desenvolvidos e testados. Havia novas explorações petrolíferas em águas cada vez mais profundas a demandar novos produtos com especificações cada vez mais sofisticadas.

A visão desses profissionais que souberam se antecipar aos acontecimentos, promovendo cursos especializados, desenvolvendo novos Ensaios e divulgando amplamente aquilo que conheciam foi um fato decisivo para o sucesso do Brasil na criação de sua indústria metalúrgica, sobretudo para produtos destinados à exploração de petróleo offshore.

Esses homens deram seu tempo, sacrificaram seu lazer e o convívio familiar em prol de um país mais moderno e mais competitivo.

Roberto Caiuby Vidigal
Presidente da Confab Industrial

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