| Os 25 Anos contados por aqueles que fizeram nossa
história
A
visão de quem ajudou a criar a ABENDE é importante
para termos a noção exata de como foi participar da
criação da Associação. Pessoas que fizeram
parte dessa conquista não poderiam
deixar de contar como é conseguir completar 25 anos de história.
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Raimar
Schmidt é sócio número 6 da ABENDE.
Mas a sua ligação com a Associação
é anterior à fundação.
O engenheiro metalúrgico viajou à Alemanha e quando
voltou ao Brasil trouxe um estatuto da Associação
Alemã de Ensaios Não Destrutivos. O documento
foi
usado como base para a formação da ABENDE. “Antes
da inauguração fazíamos
reuniões nas empresas para discutir e para elaborar melhor
o estatuto”, afirma. A intenção de criar
uma Associação atendia a uma necessidade: “A
gente queria muito a Associação para que área
de END fosse valorizada”.
Tanto empenho trouxe uma recompensa.
“Hoje, a ABENDE é uma das três melhores Associações
do mundo, graças a um trabalho de incentivo”. |
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Se Raimar é o número
6, Alcides Taveira também tem orgulho
de dizer que é sócio número 7 da ABENDE.
"Era importante ter uma Associação para
regulamentar a atividade", diz. O técnico de inspeção
de END conta que na época em que se associou, o mercado
não estava preparado para o treinamento. "As pequenas,
médias e grandes empresas ainda não se preocupavam
com treinamento". Para Alcides, a evolução
no setor foi sentida de todas as maneiras, tanto na prestação
de serviços, como na qualidade. O sócio número
7 completa: "A Associação deu um salto muito
bom nos 25 anos". |
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Amilton Carvalhal
ajudou muito para que a ABENDE surgisse. Em 1977, o engenheiro
metalúrgico e um grupo de profissionais queriam fundar
uma Associação nos moldes da ASNT _ a Associação
Americana de Ensaios Não Destrutivos. Amílton
conheceu melhor a ASNT nos Estados Unidos e trouxe essa experiência
internacional para a ABENDE. Participou das reuniões
para a fundação da Associação e
mais tarde foi diretor, vice-presidente, presidente, e presidente
do Conselho Deliberativo. "Em 89, tivemos uma época
difícil, com a crise que o País enfrentava, a
ABENDE não ficou imune; tivemos que reorientar os rumos
da Associação, tínhamos custos operacionais
altos, eventos e congressos não davam resultados financeiros,
a solução foi enxugar o quadro de funcionários",
conta Amílton. Do sufoco financeiro à esperança
de sucesso. "Agora, a ABENDE está estabilizada,
com influência cada vez maior e reconhecida pelo poder
público de normalização". |
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Alejandro Spoerer
foi presidente da ABENDE em 87 e também queria trazer
uma filial da ASNT para o Brasil. Como a idéia não
foi pra frente, as atenções foram voltadas para
a criação da ABENDE. "Era mais interessante
para técnicos que atuavam na área de END e para
todo mundo ter uma Associação própria,
nacional", fala Alejandro. Para ele, a ABENDE está
bem situada na área de geração de energia,
distribuição e controle de energia elétrica,
assim como mineração. "Hoje, a ABENDE está
muito bem posicionada nas indústrias ferroviária,
naval e aeronáutica". Alejandro acredita que a realização
de um sonho antigo está por vir. "Nos setores de
autopeças e siderúrgica, precisamos conquistar
e consolidar uma posição nesta área, e
isso pode ser concretizado já que a ABENDE fez importantes
ações numa época difícil e com ações
concretas a ABENDE conseguirá, não tenho dúvidas". |
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O último presidente da ABENDE,
José Santaella Redorat Jr., hoje presidente
do Conselho Deliberativo mistura a sua história de vida
com a da ABENDE. Recém-formado em engenharia, aos 21
anos, começou a atuar na área de inspeção.
Foi assim que chegou até à ABENDE. "No começo,
apesar de nova no ramo, a ABENDE era bem dinâmica. Eu
percebia a participação dos técnicos nos
congressos, era sempre tudo caloroso e envolvente". Santaella
foi bolsista na Alemanha pela Fundação Krupp na
época em que a ABENDE começava a firmar convênios
internacionais. Em 92, foi diretor da ABENDE. "Tivemos
problemas financeiros até 96, em 97 as coisas começaram
a mudar, com o Sistema de Qualificação e Certificação
recebemos mais sócios", diz. "A ABENDE pode
alcançar vôos, construir uma sede própria
é um sonho, mas o mais importante é que a Associação
deixou ser acanhada e comedida e hoje tem mais presença". |
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Milton Mentz também
se beneficiou dos convênios internacionais que a ABENDE
realizou no começo da década de 80. Em 1983, o
engenheiro mecânico foi bolsista na Alemanha. Na verdade,
foi o primeiro brasileiro a participar do Projeto de Cooperação
entre Brasil e Alemanha. Ele cumpriu todo o Programa de Treinamento
da Associação Alemã de END e voltou para
o Brasil com nível 3 de quatro métodos de Ensaios
Não Destrutivos. "Valeu a pena pessoal e profissionalmente
ser sócio, passei toda a experiência para os funcionários
da minha empresa e para os funcionários da própria
ABENDE", diz. Depois de ter ministrado vários cursos,
Milton faz parte do Conselho Deliberativo da ABENDE. Hoje, tem
esperanças de que no futuro a ABENDE possa se igualar
ao trabalho de END feito na Alemanha. "Os alemães
estão muito a frente neste ramo, a ABENDE ainda tem um
trabalho de base nesta área, mas a longo prazo isso é
muito possível". |
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Rodolfo Fraga Moreira trabalha na
área de END desde 1967. Já naquela época,
quase dez anos antes de a ABENDE ser fundada, o administrador
de empresas sentia necessidade de mudanças. "Nós
sentíamos que os Ensaios Não Destrutivos não
tinham apoio, nem rumo, não havia empresas nem treinamentos".
Rodolfo Moreira conta que foi inevitável o surgimento
da ABENDE. "Estávamos muito atrasados em relação
aos países desenvolvidos, os clientes cobravam, mas não
tínhamos a quem recorrer". Ele conta que dois grupos
que lutavam simultaneamente pela fundação da Associação
resolveram se unir para agilizar a criação da
ABENDE. "Ainda temos muito caminho pela frente, novas tecnologias
estão vindo para o Brasil, mas hoje sabemos que os 25
anos não foram em vão". |
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Renato dos Santos Pereira
participou da primeira reunião para formar a ABENDE.
"No final da década de 70, queríamos exportar
para grandes indústrias, mas para exportar, precisávamos
dominar a área de END", diz. Para ele, com a ABENDE
o setor cresceu muito. "A Associação desempenhou
um papel importante quando fortaleceu o treinamento". Pereira
diz que a preocupação com a segurança era
fundamental. "Hoje, os Ensaios Não Destrutivos no
Brasil estão muito adiantados, passamos por uma redução
na produção de equipamentos, mas agora a ABENDE
já está conseguindo suprir a procura". Quando
se trata da Associação que ajudou a fundar, Pereira
é filosófico: "A ABENDE cumpre hoje um papel
de educação, formação e de orientação,
ela nunca poderá deixar de existir", finaliza. |
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A visão de um ex-presidente e membro
do Conselho Deliberativo da ABENDE muitas vezes representa o
que é a Associação. E quando este ex-presidente
também foi um voluntário, e fácil entender
por que a sua contribuição foi fundamental para
a evolução na história dos 25 anos da ABENDE.
O engenheiro João Rufino Teles Filho
não se esquece de pequenos detalhes. "No começo,
a ABENDE era pequena, com no máximo três salas".
Ele lembra também do que considera ter sido o mais importante
para a Associação crescer. "A dedicação
do pessoal, vontade e o ímpeto foram fundamentais para
que a ABENDE não acabasse", diz. O engenheiro acredita
que além de informar a sociedade sobre os Ensaios Não
Destrutivos, a Associação contribuiu muito na
sua carreira. "Ela me ajudou na relação com
outros profissionais, na troca de informações,
convívio e experiências". |
Linha do tempo

Jornal
"O Estado de São Paulo" de 17/12/1979 |
A área de Ensaios Não
Destrutivos nunca mais seria a mesma. E pensar que tudo começou
numa fase conturbada, época de indefinição
no ambiente industrial brasileiro. O cenário: final da
década de 70. A política governamental favorecia
substituição de importações em razão
da necessidade de estabilização das contas internas.
Mas havia sinais de progresso. O modelo de desenvolvimento nacional
privilegiava investimentos nas áreas de energia e petróleo.
A ASNT _ American Society For Non-Destructive Testing _ Associação
Americana de Ensaios Não Destrutivos era referência
no mundo no assunto, mas o mercado brasileiro sentiu necessidade
de fazer uma entidade genuinamente brasileira. Um grupo de profissionais
deu vida à idéia. O sonho podia ser uma realidade.
Era preciso contribuir para que os Ensaios Não Destrutivos
impulsionassem a qualidade industrial, a segurança pública,
a capacitação e a certificação de
mão-de-obra. |
Uma e meia da tarde. Horário da Assembléia. Para
um grupo de profissionais de END podia ser mais só mais
uma, mas certamente foi a Assembléia mais importante
para a vida da ABENDE, porque através dela a Associação
começou a ganhar força. No dia 19 de setembro
de 1978, representantes da área de END elegeram uma comissão
de organização para a Fundação da
ABENDE. Foram muitas reuniões. Acertos, conversas, decisões.
Seis meses depois, dia 27 de março de 1979, a ABENDE
é fundada por doze integrantes da comissão organizadora
no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São
Paulo. Foi um marco fundamental para a tecnologia brasileira.
É dada a largada rumo ao desafio e sucesso.
O
batismo da ABENDE acontece no ICNDT _ Comitê Mundial
de END. A Associação participou do evento como
membro votante. O Comitê foi na Austrália e reuniu
todas as associações de END no mundo. Em 1980,
a ABENDE realiza o I Seminário Nacional de Ensaios
Não Destrutivos, em São Paulo. Uma oportunidade
para lançar idéias, sugestões e propostas
de desenvolvimento na área de END. O mercado sentia
necessidade de profissionais qualificados. Em 1981, a ABENDE
implanta o Programa de Treinamento de Inspetores em convênio
com a PETROBRAS. O treinamento mudaria a história da
certificação e qualificação de
pessoal. No ano seguinte, sempre em busca de desafio, é
criado um Grupo do Trabalho para elaboração
do Programa Nacional de Treinamento, Qualificação
e Certificação de Pessoal em END. A COEND _
Comissão Nacional de Qualificação e Certificação
demonstra o interesse da ABENDE em investir na área,
considerada promissora e fundamental para os profissionais
de END.
|

1981
- Curso de Reciclagem Ultra-Som |

1992
- Participantes da 13ª Conferência Mundial de END
realizada em São Paulo/SP
|
Em 83, a Associação
prova que podia alcançar vôos ainda mais altos
e importantes para o setor. Realiza o I CLAEND _ Congresso Latino
Americano de Ensaios Não Destrutivos, em São Paulo,
e mais do que isso, representa o governo brasileiro no Projeto
Regional de END para a América Latina e Caribe. O Congresso
motiva a ABENDE a participar de outros programas em 84 e 85.
Nestes anos e nos seguintes, instrutores brasileiros conseguem
bolsas no exterior para aperfeiçoamento em END. No final
da década de 80, sócios da ABENDE representam
a Associação em cursos e implantação
de esquema de qualificação e certificação.
E é justamente esta área que a ABENDE tem como
prioridade na década de 90. Em 97, a Associação
é credenciada pelo INMETRO como Organismo de Certificação
de Pessoal - OCP. |
| A década de 90 é
marcada pela realização de importantes eventos,
que levam à ABENDE ao reconhecimento internacional com
a realização da Conferência Mundial, em
92. O século XXI chega e com ele vem outro desafio. Na
verdade, mais do que um. Manter a qualidade dos cursos, certificar
mais profissionais e avançar na área de END. Em
2003, a 3ª Conferência Panamericana de END é
realizada no Rio de Janeiro. A ABENDE sedia o evento e consegue
retomar os contatos com entidades e associações
da América Latina que estavam esquecidos. Uma oportunidade
para voltar a mostrar que a Associação é
a mais importante representante de END no continente sul-americano.
A ABENDE quer agora continuar a mostrar
que valeu a pena lutar para criar a Associação
e difundir os Ensaios Não Destrutivos em novos setores
do mercado. Os desafios são principalmente na área
de qualificação e certificação.
Quanto mais pessoas qualificadas e certificadas, melhor para
os Ensaios Não Destrutivos, assim como para a indústria
nacional. Eleva-se a qualidade dos produtos que ficam mais
competitivos. E melhor para você sócio, melhor
também para a ABENDE que tanto se empenhou neste segmento.
Os 25 anos representam uma vida, mas podemos ter uma longa
história. Depende do nosso empenho, das nossas ambições
e por que não dizer que também depende de você,
prezado sócio? Sua contribuição é
e sempre foi fundamental para a ABENDE. Sem suas idéias,
sua participação, nada disso seria possível.
Os 25 anos nunca teriam existido. Queremos poder continuar
a fazer da ABENDE uma Associação com motivos
para investir na área de END e que represente uma referência
para este setor, um exemplo de Associação que
deu certo. |

2003
- Mesa de Abertura da 3ª Conferência Pan-Americana
de END realizada no Rio de Janeiro/RJ |
Programa de Treinamento de Inspetores de
END
| Início da década de 80.
A área de END ensaiava uma afirmação no
mercado. Os inspetores tentavam se firmar no setor, mas o segmento
representava uma grande barreira para o crescimento profissional.
O mercado sentia necessidade de pessoas qualificadas. Quando
a ABENDE implanta o Programa de Treinamento de Inspetores em
convênio com a PETROBRAS, através do SEQUI, em
1981, a história da certificação e qualificação
de pessoal na área de END nunca mais seria a mesma.
O coordenador do Programa de Treinamento de
Inspetores de END, Waldir Algarte Fernandes, conta como tudo
começou: "Cinqüenta por cento dos candidatos
eram reprovados na prova prática, eles vinham muito
despreparados". Havia uma carência muito grande
de mão-de-obra especializada, principalmente em ultra-som.
Era preciso trazer estrangeiros para suprir a demanda, o que
gerava um custo alto: "Os ingleses ganhavam em libra,
os inspetores brasileiros de nível médio, raros
na época, recebiam verdadeiras fortunas para resolver
os problemas na obra da Bacia de Campos que às vezes
parava", diz Algarte. Para se ter uma idéia, um
inspetor ganhava um salário igual ou maior do que de
um engenheiro no começo da década de 80. |

1984
- Participantes do Curso de Ensaio Radiográfico, realizado
em Natal/RN |
A PETROBRAS supriu a ineficiência do mercado. O Programa
de Treinamento recebia alunos que já tinham sido reprovados
várias vezes. Para preparar os inspetores para o mercado,
o curso tinha ênfase nas provas práticas: "Explicávamos
a parte teórica por cima", explica. O primeiro curso
teve duração de uma semana e foi um sucesso; cem
por cento dos alunos foram aprovados. Foram realizados doze
cursos gratuitos em 1981, nos cinco primeiros, o índice
de aprovação era de cem por cento. Em média
150 alunos se formaram. Saíram de lá inspetores
de END certificados. "Com isso ficou comprovado que os
cursos especializados pela PETROBRAS não eram ruins,
os alunos é que eram muito despreparados". Poucos
anos depois, a situação se inverteu. "Foram
tantos treinamentos que o mercado ficou saturado, não
tivemos que importar mais mão-de-obra". Algarte
explica que quando a PETROBRAS percebeu que o problema era a
falta de preparação, fez um convênio com
a ABENDE. "Fornecemos uma espécie de mercado para
a ABENDE", diz.
A ABENDE hoje
dá continuação ao Programa de Treinamento
iniciado pela PETROBRAS e permanece na batalha para formar
profissionais de END. "O Programa de Treinamento cumpriu
a missão", finaliza Algarte. |
Setor Interno de Cursos
| O reflexo do Programa de Treinamento em
convênio com a PETROBRAS foi sentido literalmente na rua.
"Tinha aluno fazendo fila na porta da ABENDE". A afirmação
é de Akira Sakamoto, instrutor desde a década
de 70 e por dez anos dos cursos da ABENDE. Ele conta que no
começo da década de 80, era preciso escolher.
A demanda era muito grande. "As empresas pagavam os cursos
para os funcionários, mas tivemos que recusar alunos".
Profissionais do Japão, da Inglaterra eram trazidos aos
montes porque não havia pessoas qualificadas para fazer
inspeção de ultra-som. Isso mudou cerca de três
anos depois, quando graças ao Programa de Treinamento
e à ABENDE, brasileiros foram trocados por estrangeiros.
"Nesta época, o setor de inspeção
de END era extremamente promissor, pessoas migravam de outras
áreas e vinham para a área de END".
O mercado de Ensaios Não Destrutivos
sofreu um impacto em 1985 e os cursos foram prejudicados porque
muitas plataformas foram fabricadas no exterior. "Como
a mão-de-obra em Cingapura e Filipinas era extremamente
barata, isso refletiu na demanda brasileira". Mas o cenário
foi revertido anos depois com a construção de
novas plataformas. Hoje, os trabalhos estão concentrados
na ampliação da refinaria em Canoas, no Rio
Grande do Sul. Para Sakamoto, o mercado deu a volta por cima.
"Profissionais do setor de informática, analistas
de sistemas querem mudar de área e hoje procuram o
campo de inspeção de END porque ele é
promissor".
|

1989
- Participantes do Curso de Ensaio Visual, realizado na ABENDE |
Sistema de Franquia
| Marcar o nome da Associação
numa época de indefinição econômica
foi uma conquista. Mas sempre foi preciso avançar e se
modernizar. A ABENDE nunca se acomodou e percebeu que além
de prestar serviços para profissionais de END podia fazer
mais. Por que não fazer como grandes empresas privadas
e montar uma franquia? Enquanto a ABENDE tinha apenas vontade
de expandir a marca da Associação, um professor
de treinamento da Associação provou que isso era
possível. |
|
Waldomiro Costa Figueiredo começou a carreira na área
de Ensaios Não Destrutivos como professor da ABENDE
em 1986. Ele aproveitou a experiência e conhecimento
no setor para montar a primeira franquia da ABENDE, o CETRE
do Brasil, em 1993. A entidade foi autorizada a ministrar
cursos de END, em nome da Associação. "No
começo, tivemos que buscar novos mercados, como automotivo,
aeronáutico, ferroviário, mas isso deu grande
desenvolvimento para a franquia", explica Waldomiro.
De 1993 a 2003, o CETRE do Brasil treinou em média
oito mil pessoas. "Seguíamos à risca o
Sistema de Franquia; usávamos as apostilas e a metodologia
rigorosa da ABENDE".
Em 2003, o CETRE foi o pioneiro a pedir certificação
de OTR _ Organismo de Treinamento. A franquia foi encerrada
porque Waldomiro queria avançar mais. "Agora,
a ABENDE me dá liberdade de desenvolver melhor a área
de treinamento, o OTR me dá liberdade". Na verdade,
o CETRE não deixou de existir, só não
atua mais como franquia da ABENDE. Com a OTR, o CETRE investiu
mais de um milhão de reais em tecnologia e tem um reconhecimento
de qualidade para dar treinamentos. "Foi uma evolução,
temos um centro de treinamento de nível internacional
e agora, pretendemos ampliar o parque de salas e laboratórios
para suprir o mercado". Waldomiro completa: "O apoio
da ABENDE foi fundamental".
|

Waldomiro
da Costa Figueiredo, Diretor do CETRE |
OTR
| Durante estes 25 anos, a ABENDE não
parou de buscar alternativas para modernizar a área de
treinamento de END. O mercado de Ensaios Não Destrutivos
é ágil e sempre pediu inovações.
A ABENDE então foi buscar nos modelos internacionais
uma solução para criar um novo sistema para a
área de treinamento de pessoal em END. A Associação
se baseou nos modelos britânico e alemão para que
surgisse o OTR - Organismos de Treinamento Reconhecido. Através
do OTR, empresas são reconhecidas pela ABENDE para ministrar
cursos de END, em nome da Associação. Os critérios
são estabelecidos pela ABENDE. Criar
o OTR é mais do que inovar para ABENDE. A Associação
quer expandir os serviços na área de treinamento
até para suprir a demanda. Com a adoção
do novo sistema, a ABENDE espera que todas as regiões
brasileiras possam ser atendidas. Hoje, o sistema OTR é
mais moderno e eficaz porque permite maior liberdade de atuação
aos organismos de treinamento. Atualmente, duas empresas são
OTRs. A CETRE do Brasil, desde o ano passado, e a ENDSCOLA,
credenciada este ano. |
De Leigo a Especialista em Treinamento de END
| Quando Luiz Muller resolveu ser sócio
da ABENDE, em 1987, os Ensaios Não Destrutivos para ele
eram uma incógnita, na verdade um mistério. "Procurei
a ABENDE porque a área de END era vista com bons olhos
pela indústria metalúrgica e também porque
queria aprender: não sabia nada sobre o assunto",
conta Muller. Naquele mesmo, ele entrou para o Programa de Treinamento
da ABENDE e fez todos os cursos possíveis de END. "Estudei
muito e participei de eventos". Especializou-se no assunto
também no exterior. A experiência trouxe a certeza
de que o Brasil é extremamente avançado na área
de END. "Nossos inspetores não perdem nada para
inspetores americanos, canadenses ou italianos". Não
foi à toa que Muller acabou se tornando diretor de treinamento
da ABENDE. Participou também da criação
de vários comitês e da formação do
CETRE. Hoje, ele percebe a diferença de conhecer o assunto
através da Associação. Sempre orienta estudantes
de engenharia metalúrgica para fazer treinamentos na
ABENDE. "Um profissional não aprende sobre Ensaios
Não Destrutivos na universidade, ele precisar ir à
ABENDE para conhecer o assunto, acho que isso valoriza demais
a Associação". |

1987
- Luiz Müller (1º em pé, da esquerda para a
direita) no treinamento |
Qualificação e Certificação
| Mil novecentos e oitenta foi
realmente um ano histórico para a ABENDE. Paralelo ao
Programa de Treinamento de Inspetores de END, em convênio
com a PETROBRAS, havia uma imensa necessidade do mercado para
colocar em prática um sistema que fosse apto para certificar
profissionais da área de Ensaios Não Destrutivos.
Com este objetivo, os sócios se reuniram. Em 1981, os
membros do Conselho Deliberativo da ABENDE instituíram
a COEND _ Comissão de Ensaios Não Destrutivos
para discutir a melhor maneira de fazer isso. "Percebemos
que a certificação era algo irreversível,
a COEND foi o embrião para que o Sistema Nacional de
Qualificação e Certificação _ SNQC
- fosse criado mais tarde, em 1987", afirma Wilson Zaitune,
um dos coordenadores do SNQC. Zaitune conta que as normas foram
preparadas de 1981 a 1987 pelo grupo que formava a COEND. "Fizemos
mais de cem reuniões, participavam profissionais da PETROBRAS,
da área nuclear, automobilística e soldagem".
Definidas as bases da qualificação,
era preciso discutir como de fato seria o Sistema. Ele deveria
ter um Conselho? Um Bureau? O grupo teve que detalhar também
se o SNQC seria dividido em níveis e sub-níveis
de qualificação. "Como muita gente de muitos
setores participava do grupo, fazer o detalhamento do Sistema
deu muito trabalho. Mas nós chegamos num consenso e
criamos duas normas: NA00 e DC001", conta Zaitune.
Criadas as normas, o próximo passo foi
mudar o estatuto da ABENDE. Como a Associação
só tinha os Conselhos Deliberativo e Fiscal e a Diretoria,
em 1987 foi criado o Conselho de Certificação.
Assim, ele se tornava independente e soberano. A proposta
de mudança na base do estatuto da ABENDE foi levada
à Assembléia, representada pelos sócios.
O SNQC foi aprovado e a COEND deixou de existir. |
Depois de constituído
o Sistema, foram criados todos os órgãos necessários
(Conselho de Certificação, Bureau de Certificação,
Comitês Setoriais e Comitês de Exames de Qualificação),
assim como foi feito o detalhamento das normas e da operação
de todo o SNQC. O processo
de qualificação só começou quatro
anos mais tarde, em 1991 e dez anos depois da criação
da COEND. "Quando a ABENDE criou a Comissão de Ensaios
Não Destrutivos, não sabia se teria o SNQC sob
sua coordenação. Isso acabou acontecendo meses
depois. O trabalho foi tão sério que o Conselho
achou que o SNQC tinha que ser coordenado pela ABENDE".
O SEQUI/PETROBRAS foi o primeiro organismo
a promover a qualificação e certificação
de pessoal no país, através do Centro de Exames
de Qualificação posteriormente reconhecido pelo
SNQC/END. |
Wilson
Zaitune
|
Credenciamento Inmetro

Reunião
da COEND
|
Não bastava ter um
Sistema Nacional de Qualificação e Certificação.
Para certificar profissionais de Ensaios Não Destrutivos,
a ABENDE precisava ser credenciada ao INMETRO. O processo é
exigente, mas eficiente. Para obter o credenciamento, foi necessário
fazer um pedido de requisição, depois analisado
pelo INMETRO. Uma auditoria foi marcada e verificou-se que a
Associação respeitava as normas estabelecidas,
ou seja, havia pessoal capacitado, a documentação
era correta, e as instalações eram adequadas.
A ABENDE obteve o credenciamento do INMETRO em 1997. Pelo menos
uma vez por ano, a entidade realiza uma auditoria na ABENDE
para verificar se a Associação continua respeitando
as normas. |
O credenciamento
é um sinal de que a Associação está
não só de acordo com a lei, mas extremamente apta
para capacitar profissionais da área de END. "Hoje
em dia, o profissional certificado é muito valorizado
e o credenciamento dá credibilidade às empresas",
diz Alfredo Lobo, diretor da qualidade do INMETRO.
O mercado hoje é exigente e quer que a certificação
seja valorizada. A afirmação é do ex-presidente
do INMETRO, Júlio César Bueno. Ele conta que o
próprio INMETRO precisou provar seu valor. "Uma
das maneiras de valorizar o INMETRO foi aplicar testes. Fizemos
o teste de qualidade, exibido em programas de televisão
e assim divulgamos a entidade, as empresas precisam saber o
grau da certificação e fazer exatamente isso",
diz Bueno. Certamente a área de qualificação
é uma preocupação de grandes empresas,
mas principalmente daquelas que querem progredir. "A área
de certificação é extremamente importante
porque valoriza a educação como identidade cultural",
diz Bueno, hoje secretário do desenvolvimento econômico
e turismo do Espírito Santo. |
Júlio
Bueno em reunião do Conselho de Certificação
da ABENDE |
Conferência Mundial
| O Comitê Internacional
de Ensaios Não Destrutivos promove uma Conferência
Mundial a cada quatro anos. Ela é presidida por um País
que é escolhido o gestor do grupo. Em 1992, o Brasil
sediou uma dessas conferências no Parque Anhembi, em São
Paulo. Pelo menos vinte países da Europa, América
do Sul e Ásia participaram. Pela primeira vez, uma Conferência
Mundial foi realizada num País da América Latina.
Foram vários dias de congresso. Houve uma feira técnica
de equipamentos, materiais e serviços. "Foi uma
feira grande e muito concorrida, muitos empresas internacionais
se interessaram", diz Carlos Hallai Jr., presidente da
Conferência Mundial e do Comitê Internacional. "O
Brasil já tinha tecnologia a oferecer, mas houve troca
de experiências". |

Participantes
da 13ª WCNDT |
| Carlos Hallai conta que vários
acordos foram fechados com outros países, principalmente
na área de tecnologia. Naquela época e num período
de dez anos, muitos brasileiros foram à Alemanha, assim
como os alemães vinham ao Brasil para ensinar técnicas
mais avançadas como análise de vibrações.
A Conferência Mundial provou que o Brasil podia sediar
eventos importantes, e que podia vencer os obstáculos:
"Apesar de a ABENDE ter conseguido patrocínio, tivemos
que fazer um sacrifício financeiro, mas demos uma demonstração
de capacidade, organizando um evento daquele tamanho, nunca
tínhamos recebido pessoas tão influentes e que
puderam contribuir tanto". |
Conferência PANNDT
Para a ABENDE,
sediar a 3ª Conferência Panamericana de Ensaios Não
Destrutivos, foi um grande acontecimento. É um fato que
certamente não pode ser esquecido dos 25 anos de história
da Associação. A 3ª Conferência foi
realizada em 2003 no Rio de Janeiro, e desde a 1ª Conferência
Panamericana, o Brasil tinha sido escolhido para sediar este
encontro. Isso porque o País sempre foi o mais representativo
da América Latina na área de END. "Os contatos
das entidades e associações da América
Latina estavam meio perdidos, foi um grande ganho ter a retomada
destes contatos", afirma Maria Izabel Gebrael, presidente
da Conferência.
Países da Europa e Rússia
também participaram. Representantes do Peru e da Bolívia
mostraram-se interessadas em formar uma Associação,
a exemplo da ABENDE. "Foi uma oportunidade única
para apresentar trabalhos técnicos de ótimo nível,
assim como novas tendências, a ABENDE conseguiu exportar
idéias e mais do que isso, fomos fornecedores de serviços
e treinamentos", conta Maria Izabel.
|

Maria
Izabel L. Gebrael - Presidente da Conferência PANNDT |

Carlos
Hallai Jr. - Presidente da Conferência Mundial |

Vista
geral da exposição técnica da 3ª Conferência
Panndt de END, 2003 |
A ABENDE e a mídia
Não bastava
só criar a ABENDE. Era preciso mostrar aos sócios
as últimas novidades sobre os Ensaios Não Destrutivos.
A primeira publicação da Associação
foi lançada um ano depois da inauguração,
em 1980. O "ABENDE Informativo" era
um jornal de circulação bimestral, trazia as novidades
do setor e ficou neste formato até 1986. Naquela época,
os Ensaios Não Destrutivos necessitavam de mais atenção.
Foi um salto e tanto em se tratando de comunicação.
Neste mesmo ano, mais dois veículos foram lançados:
a "Revista Oficial da ABENDE" e a
"Revista dos END". Essa última,
em parceria com demais entidades associativas. Em 1990, a ABENDE
já havia superado o desafio inicial de difundir os Ensaios
Não Destrutivos no mercado. Outro assunto merecia destaque
e atenção dos sócios. A "Revista
dos END" foi substituída então por
outra publicação: a "Revista Controle
de Qualidade" editada pela Editora Banas em conjunto
com a ABIMAQ, que mais tarde, foi chamada de "Qualidade
Total", em 1994. Em paralelo, a ABENDE lançou
também o "Notícias ABENDE",
publicação mensal que relatava os principais eventos,
cursos e reuniões.
No final da década de 90, A ABENDE percebia que a quantidade
de informações detalhadas sobre END não
poderiam ficar limitadas às publicações
bimestrais. Em 1999, o periódico mensal "ABENDE
Informação" trouxe as principais
novidades do setor para os sócios. O que se vê
depois é uma grande evolução na área
de comunicação. O ano 2000 surge com mais três
novas publicações: o "ENDIA Informativo",
"ENDestaque" _ informativo especial
sobre o SNQC/END _ e pela primeira vez uma revista é
lançada para atender a um assunto específico.
A revista "Soldagem e Inspeção"
tinha publicação mensal e era distribuída
aos sócios da ABENDE e também para parceiros como
o SENAI, por exemplo.
A era digital trouxe informações online
e provocou a substituição dos informativos.
Em 2001, foi criado o ABENDE News. Em 2004,
a Associação lança o seu mais recente
meio de informação. A "Revista
ABENDE" surge no ano de comemoração
de seus 25 anos de fundação. Os números
já são superlativos. Com tiragem de 5500 exemplares
e circulação bimestral, a "Revista
ABENDE" quer não apenas divulgar a prática
de Ensaios Não Destrutivos no Brasil, como também
satisfazer os sócios e leitores.
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Revistas
publicadas pela ABENDE |
Representações do ICNDT
| No ano de sua criação, a
ABENDE conseguiu começar a atuar de forma ambiciosa.
A Associação representou o Brasil no Comitê
Internacional de END, realizado na Austrália em 1979.
Esta oportunidade surgiu com a ajuda da engenheira química
Salete Maria Brisighello, uma das fundadoras da ABENDE que aproveitou
a chance para apresentar a tese de mestrado de um trabalho técnico
e para divulgar o trabalho brasileiro na área de END
no exterior.
O Comitê serviu para discutir as
estratégias e políticas do aspecto tecnológico
em END. "Naquela época, a coisa mais importante
era inserir a ABENDE no Comitê Mundial, assim como era
fundamental apresentar o reconhecimento do desenvolvimento
do País na área de END", diz Salete. Ela
afirma que a participação do Brasil no evento
contribuiu muito para o sucesso da área de END. Primeiro,
com a criação da ABENDE no mesmo ano. Segundo,
com o reconhecimento das atividades de END pela PETROBRAS
e pela área nuclear na época, e terceiro, com
os desenvolvimentos tecnológicos através de
pesquisa no setor de END, a exemplo da tese que ela apresentou.
O Comitê resultaria na qualificação e
certificação de profissionais na área
de END. Dos vinte países que integravam o evento, o
Brasil mostrou que tinha uma representação promissora,
e que futuramente viria a se comparar com importantes Associações
de Ensaios Não Destrutivos no Mundo.
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Prêmio ABENDE
O Prêmio ABENDE surgiu
com o objetivo de são promover a divulgação
da Associação de forma direta, além de
reconhecer os trabalhos e esforços de pessoas físicas
ou jurídicas em prol do desenvolvimento dos Ensaios Não
Destrutivos no Brasil. Quem presta serviços excepcionais
à ABENDE também é beneficiado pelo prêmio.
Ele já está na quinta edição. O
vencedor da terceira edição, em 2002, foi Antônio
Sérgio Fragomeni. Como supervisor de construção
de plataformas da Petrobras, ele estimulou a prática
de Ensaios Não Destrutivos na empresa. Todo vencedor
do Prêmio ABENDE recebe um troféu. Fragomeni diz
que ganhou mais do que isso. "O Prêmio ABENDE não
significa apenas o reconhecimento das atuações
relevantes de profissionais na área de Ensaios Não
Destrutivos, mas representa também um grande estímulo
e uma homenagem para toda uma equipe de trabalho, constituindo-se
numa motivação adicional que ressalta a grande
importância dos Ensaios Não Destrutivos no contexto
das atividades industriais. Considero-me muito privilegiado
por ter tido a honra de receber o Prêmio ABENDE 2002".
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Antônio
Sérgio Fragomeni durante a Solenidade do Prêmio
ABENDE 2002 |
Normalização Técnica
| Quando, em 1987 surgiu a ISO
9000, o assunto mais importante na área de qualidade
era o sistema de gestão. Os produtos não foram
esquecidos, mas as atenções estavam voltadas para
as normas de gerenciamento. Várias normas foram criadas.
Mas hoje, como conseqüência de uma evolução
natural, a normalização está voltada para
as pessoas. Esta é a opinião de Eugenio Guilherme
Tolstoy de Simone, diretor técnico da ABNT _ Associação
Brasileira de Normas Técnicas. "Quando você
se hospeda em um hotel, não adianta o lugar ser fantástico
se as pessoas que te atendem são ruins", diz Eugenio.
Uma definição do que representa a normalização
hoje é: o sucesso do produto está muito ligado
a quem lida com ele. Para a ABNT, a
competitividade precisa ser baseada em norma, que nada mais
é do que o documento de uma tecnologia consolidada.
O caso dos Ensaios Não Destrutivos não é
diferente dos demais. O principal é a pessoa que está
por trás dos produtos, e se ela está qualificada.
"A normalização é uma das ferramentas
mais importantes da equipe, principalmente na montagem industrial",
diz Eugenio.
|

Eugenio
Guilherme Tolstoy de Simone, diretor técnico da ABNT
|
| Em dezembro de 2003,
a ABNT fez um convênio com a ABENDE e credenciou a Associação
como ONS - Organismo de Normalização Setorial
- para Ensaios Não Destrutivos. Isso quer dizer que a
ABNT delegou o direito de a ABENDE fazer normas e mostrar qualidade
nas elaborações setoriais. O processo é
assim: estas normas entram em consulta pública; os votos
são consolidados e é feita a publicação
delas. Um trâmite extremamente sério e exigente.
"Para delegarmos uma norma para uma instituição,
ela precisa ter capacidade técnica e ética para
carregar o nome da ABNT", diz Eugenio. A ABNT tem 600 comissões
de estudo, 58 comitês técnicos e apenas 4 ONS,
uma delas é a ABENDE. "A ABNT só assinaria
um convênio se fosse bom para as duas instituições;
aproveitamos para usar o conhecimento de END que a ABENDE tem
e principalmente a sua credibilidade no setor", finaliza
Eugenio. |
Projeto Multicliente
O Projeto Multicliente surgiu
no início da década de 90, época em que
havia enorme necessidade de invenção tecnológica
no País. A ABENDE promoveu esta iniciativa com o objetivo
de estimular ainda mais a prática de Ensaios Não
Destrutivos no País. Quando foi lançado, provocou
o interesse de muitas empresas do País, em busca de aperfeiçoamento
na área de END. E também porque o Projeto Multicliente
tem vantagens. Ele atende aos interesses de várias empresas
ao mesmo tempo que financiam o Projeto em conjunto. Em geral,
uma é interessada na pesquisa; a outra no resultado desta
pesquisa e uma terceira, nas aplicações deste
resultado.
No primeiro Projeto Multicliente, procurou-se identificar estatisticamente
a sensibilidade e a repetibilidade do método de ultra-som.
A pesquisa era para atender a uma demanda da época: a
construção de plataformas da Petrobras. Segundo
um dos coordenadores do Projeto Multicliente, Cláudio
Camerini, foram realizados, em média, cinco Projetos
Multiclientes na década de 90. Além
do primeiro, ele lembra de outro que considera ter sido extremamente
importante para o setor: "Em 95, foi realizado um projeto
de inspeção de soldas circunferenciais, especialmente
com relação às paredes finas. Para se ter
uma idéia da importância deste Projeto Multicliente,
foram selecionados os principais especialistas do setor para
participar". Ricardo Tadeu Lopes participa desde o segundo
Projeto. O físico e pesquisador já realizou mais
de cem pesquisas. "Este trabalho é importante porque
reúne até quatro segmentos: o pesquisador, o cliente,
o fornecedor e o usuário", diz. Para Cláudio
Camerini, a ABENDE foi fundamental na evolução
deste Projeto. "O método e os custos são
divididos e além do mais, ele tem um respaldo de uma
entidade independente, de reconhecimento nacional e internacional
como a ABENDE". |

Claúdio
Soligo Camerini, PETROBRAS/CENPES

Laboratório de END - LABOEND
|
ETS
Assim como o Projeto Multicliente,
a Entidade Tecnológica Setorial – ETS - também
surgiu no início da década de 90 pela necessidade
de desenvolvimento tecnológico no País. “Havia
deficiências no campo tecnológico e um pequeno
envolvimento das empresas no esforço de
capacitação”, explica José Paulo
Silveira secretário de tecnologia do Ministério
da Ciência e Tecnologia, de 1991 a 1994. O desafio era
transformar a deficiência em estratégia. A entidade
deveria ser também um espaço de cooperação
para que as empresas pudessem participar de congressos tecnológicos.
“Era importante que a entidade passasse a utilizar instrumentos
de
desenvolvimento tecnológico mais apropriados”,
diz. Além da demanda brasileira, Silveira explica que
outro fator influenciou na criação da ETS: a
experiência internacional. Os países desenvolvidos
tentavam promover há décadas a ETS. “A
Inglaterra criou em 1940, uma associação de
pesquisas; a França em 1948 criou um Estatuto de Entidades
Tecnológicas Setoriais, o Brasil não podia ficar
de fora”. Silveira diz que a ABENDE tem características
de uma ETS: “Dedica-se a Capacitação,
Certificação, Projeto Multicliente, difusão
e informação tecnológicas”.
|

José
Paulo Silveira |
Projeto de Cooperação
Assinatura do Convênio ABENDE e DGZFp
|
O Projeto de Cooperação
“ABENDE-DGZFP” deu um grande passo para a ABENDE
estreitar as relações internacionais na área
de Ensaios Não Destrutivos. No começo da década
de 80, a Associação fez um acordo de cooperação
com a DGZFP, a Associação Alemã de Ensaios
Não Destrutivos.
“Foi um mero acordo na época entre duas associações
que queriam se conhecer melhor”, afirma Oswaldo Rossi,
coordenador do Projeto de Cooperação. Mas foi
em 1982 que a ABENDE inovou nos acordos internacionais. Através
da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão
da ONU, o Projeto para a América Latina e Caribe na
área de END pôde ser concretizado. O Projeto
nasceu na Argentina,e o Brasil estava entre os dezoito países
agregados. Envolvia o treinamento em vários setores
de END e a troca de experiências. Neste Projeto, o Brasil
foi doador. “Enviamos cerca de duzentos instrutores,
técnicos e engenheiros, que levavam a experiência
para o exterior. A projeção foi muito boa, queríamos
contribuir”,
diz. As reuniões eram anuais para que os temas fossem
discutidos. De 1982 a 1992, vinte mil homens/hora foram treinados
em toda a América Latina. O Projeto acabou em 92 porque
a Agência Internacional de Energia Atômica não
tinha mais verba para financiá-lo.
|
O órgão da ONU continuou
ajudando a ABENDE e o Brasil a estreitar relações
internacionais para aperfeiçoar a área de END.
Se o Brasil foi à América Latina doar informações,
também recebeu muito. Além do conhecimento na
área, instrutores da Itália e Alemanha doavam
instrumentos. Em 1985, Brasil fez um acordo de cooperação
técnica com a Alemanha, intermediado pelo CNPQ e DLR,
tendo o Instituto de Materiais IW de Hannover e a ABENDE como
entidades executoras do projeto para troca de especialistas.
Os alemães fizeram doações substanciais
de equipamentos, como raio-x microfocus, correntes parasitas,
conjunto para análise de vibrações, ensaio
de fugas. No ano passado, o acordo terminou porque o prazo foi
encerrado.
Mas ele será renovado. “Foi um acordo excelente
porque abriu possibilidades de cooperação com
vários equipamentos e acrescentou em tecnologia”. |
Como a ABENDE contribui para a indústria
nacional?
| A qualidade do produto é
essencial para a competitividade da indústria. Bons produtos
significam acesso a mercados no Brasil e no exterior. Neste
aspecto, a ABENDE tem desempenhado um papel fundamental para
o desenvolvimento da indústria brasileira e, em especial,
do setor siderúrgico, que utiliza cada vez mais os Ensaios
Não Destrutivos (END) para controlar a qualidade de sua
produção. Ao estimular
o emprego de END na siderurgia, a ABENDE está contribuindo
direta e indiretamente para aumentar a competitividade do
setor nos principais mercados do mundo. E, além de
assegurar a qualidade, os Ensaios Não Destrutivos estão
se tornando cada vez mais importantes para a própria
manutenção de equipamentos industriais nas usinas,
o que também influi, de forma positiva, na qualidade
da produção.
|

Rinaldo
Campos
Presidente da Usiminas |
Num momento em que o Brasil
se prepara para entrar de forma definitiva no comércio
global, através da negociação de acordos
com os principais blocos econômicos do mundo, qualidade
e competitividade tornam-se fatores cruciais para a indústria
brasileira. É necessário um grande esforço
nacional, envolvendo governo, instituições e iniciativa
privada, para assegurar o desenvolvimento e aperfeiçoamento
do parque industrial brasileiro. Ao trabalhar pela qualidade,
a ABENDE e suas associadas, portanto, tornam-se parceiras imprescindíveis
nesta caminhada.
Parabéns pelos 25 anos de existência e votos de
novas conquistas. |
Opinião
A década de 70 estava terminando,
mas trazia um enorme conjunto de modificações
tecnológicas que se aprofundavam cada vez mais na indústria
brasileira. Era a época do "milagre brasileiro".
As idéias e os projetos surgiam aos turbilhões.
Um grupo de onze profissionais e empresários se reunia
em nossos escritórios, para formular a primeira idéia
de como poderia ser uma associação técnica
científica que regulamentasse as aplicações
de Ensaios Não Destrutivos no Brasil.
A idéia de sistematizar ações levava a
criação de uma entidade que congregasse toda uma
classe, como também promovesse a difusão e o desenvolvimento
das técnicas dos Ensaios Não Destrutivos. Estava
lançada a semente para a criação da ABENDE
- Associação Brasileira de Ensaios Não
Destrutivos - que hoje, ao completar 25 anos de atividades,
possui uma sede em São Paulo e dois escritórios
regionais, um em Belo Horizonte e, outro, no Rio de Janeiro.
E é com um imenso orgulho que vejo no que a ABENDE se
tornou: uma entidade atuante na área tecnológica,
promovendo a difusão e o desenvolvimento dos Ensaios
Não Destrutivos, colaborando para o aperfeiçoamento
das técnicas e do pessoal envolvido, solucionando problemas
na indústria nacional de forma ágil, eficaz e
dinâmica. Nestes 25 anos, nossos
caminhos nunca deixaram de se cruzar e, ao fazer uma breve
lembrança dessa trajetória, vejo que a ABENDE,
ao lado e com o envolvimento e apoio irrestrito da Petrobras,
participou ativamente em todas as áreas do desenvolvimento
da indústria brasileira, promovendo a qualificação,
treinamento e a certificação dos profissionais
do setor. E vejo também, com enorme orgulho, que ABENDE
gerencia um banco de profissionais da área dos Ensaios
Não Destrutivos e, desta forma, contribui com as indústrias
e empresas prestadoras de serviços que podem selecionar
com mais eficiência, profissionais da área. Mas,
vejo, finalmente, que durante a curta vida da ABENDE, nós,
os seus fundadores, somos aqueles que, sonhando acordados,
tivemos a consciência de mil coisas que escapam aos
que apenas sonham adormecidos. |

German
Efromovich é engenheiro mecânico. No início
da década de 70 abriu a sua primeira empresa e começou
as operações em serviços de inspeção
de qualidade e atividades NDT (Ensaios não Destrutivos).
Hoje é presidente da Marítima, empresa de unidades
flutuantes de produção de petróleo. |
Como a ABENDE contribui para a indústria
nacional?
Há 25 anos um grupo de dedicados
profissionais da área de controle de qualidade de algumas
empresas reuniu-se e decidiu fundar a ABENDE.
O que os movia era o idealismo de promover o desenvolvimento
tecnológico no Brasil, através do aprimoramento
de profissionais e divulgação do conhecimento.
Havia todo um desafio de uma Bacia de Campos que demandaria
novos produtos, com novos requisitos tecnológicos a serem
desenvolvidos e testados. Havia novas explorações
petrolíferas em águas cada vez mais profundas
a demandar novos produtos com especificações cada
vez mais sofisticadas.
A visão desses profissionais que souberam se antecipar
aos acontecimentos, promovendo cursos especializados, desenvolvendo
novos Ensaios e divulgando amplamente aquilo que conheciam foi
um fato decisivo para o sucesso do Brasil na criação
de sua indústria metalúrgica, sobretudo para produtos
destinados à exploração de petróleo
offshore.
Esses homens deram seu tempo, sacrificaram seu lazer e o convívio
familiar em prol de um país mais moderno e mais competitivo. |

Roberto
Caiuby Vidigal
Presidente da Confab Industrial |
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